A melhor música de sempre, pelo menos daquela semana. Actualidade, raridade, variedade. Escutar, relaxar, procrastinar.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
antonio carlos jobim - wave
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Fausto ao vivo na capital (publicado no Público para o público)
Assim, o barco que ia de saída há 28 anos em “Por Este Rio Acima” vem agora de chegada, majestoso, sem fronteiras claras entre princípio e fim, até porque não há um fim claro nesta história, Fausto já o disse, as descobertas nunca acabam. Nem a guerra, nem o amor, nem a vã cobiça. E foi deste modo que, de sala cheia, o CCB ouviu ecoar entre as paredes do seu auditório sete canções que nunca antes tinham sido tocadas em palco mais uma, que na voz de Ana Moura já conquistou as graças do público: “E fomos pela água do rio”, “Velas e navios sobre as águas”, “E viemos nascidos do mar”, “Nos palmares das baías”, “Fascínio e sedução”, “À luz mais frágil das auroras”, “À sombra das ciladas”, todas na sequência que terão no futuro disco, serão as primeiras sete, e, num salto mais para a frente (será a décima), “Por altas terras de montanhas”.
Quem olhou o programa da sala, tinha lá tudo: a ideia do desafio, a lista dos músicos, o alinhamento do espectáculo e as letras das 22 canções apresentadas, bem como excertos dos livros de viagens que as inspiraram. Menos a música, claro. E foi esta que, ali posta a nu, desvendou a consistência e rigor desta nova proposta que há-de suceder às obras-primas absolutas “Por Este Rio Acima” (1982) e “Crónicas da Terra Ardente” (1994).
As terras são de África, os sons não. Porque a visão é a dos descobridores e o seu olhar só podia, assim, ser envolto em harmonias e ritmos portugueses. Por isso, ouvido o marulhar das águas em “off”, no início do espectáculo, na música de “E fomos pela água do rio”, uma bela balada, sente-se o encantamento que as palavras contêm: “a maré foi de rosas”, “o meu corpo suado/ embalado/ flutua e descansa”. Tal como se sente a sensualidade quente de “Fascínio e sedução”, sublinhada pela forma única como Fausto afaga as palavras: “Gira gira como um pião/ treme como a seda/ pela palma da mão”.
Do mesmo modo se sente o fragor da guerra no tropel rítmico, quase ofegante, de “À sombra das ciladas” (“estilhaçam ossos/ cuspindo sangue/ e vomitam almas penadas (…) imaculados sejam/ também/ e repousem em santa paz/ amén”). Ou a penosa mas inebriante viagem de “Por altas terras de montanhas”, sublinhada num troar dos adufes a que se juntou, por uma única vez em todo o espectáculo, o responsável pela direcção musical: “o meu querido amigo José Mário Branco”, como Fausto o apresentou.
O resto do espectáculo foi, já não de descoberta mas de reencontro. Mal se ouviram os tambores de “Ao som do mar e do vento”, vieram as palmas. Que se repetiriam muitas vezes, aos primeiros acordes de cada canção ou no final, reforçadas; ou ainda a marcar ritmos entranhados de tal modo na maneira de ser portuguesa que se torna irresistível para muita gente acompanhá-los, sejam os da chula ou os do corridinho, que Fausto tem feito questão de recuperar da forma mais nobre e contemporânea, sem concessões. Foi isso, aliás, que se verificou no “intervalo” instrumental, quando João Ferreira e Mário João Santos ensaiaram na percussão e bateria um “duelo” em improviso. A dada altura, as palmas cadenciadas encalharam no ritmo da chula e continuaram assim, por sugestão dos músicos, em “loop” físico, enquanto eles criavam por cima outras malhas rítmicas.
A fase “Por Este Rio Acima” foi, por fim, toda ela de exaltação colectiva, como seria de esperar. A começar no tema que dá título ao disco e a acabar n’“O barco vai de saída”, com uma ligeira alteração no alinhamento: “Olha o fado” antecedeu “Lembra-me um sonho lindo” e não o contrário, como estava escrito. Nada que interrompesse a fluente narrativa fílmica destas viagens, com tantos ecos de tantas eras. A insistência da plateia forçou um “encore”, único, já com muitas vozes a gritar títulos de canções, a tentar a sorte. Ouviu-se uma, contagiante como sempre: “Navegar, navegar”. Ela própria, neste contexto, também um programa. Porque a navegação continua e a história também. O barco ainda não atracou.
NOTA: A recriar esta viagem em 22 canções estiveram no palco, com Fausto (voz e guitarra), músicos que têm dado o seu melhor em muitos espectáculos para que o som que ouvimos reproduza inesquecíveis travessias: João Maló (guitarra), Miguel Fevereiro (guitarra), Filipe Raposo (piano), Enzo d’Aversa (teclados, acordeão), Vitor Milhanas (baixo), João Ferreira (percussões) e Mário João Santos (bateria). Os arranjos e direcção musical do espectáculo foram feitos, a pedido de Fausto, por José Mário Branco, como resultado imediato da aventura musical que juntou ambos a Sérgio Godinho no projecto “Três Cantos” (gravado em CD e DVD), em Novembro de 2009.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Em destaque no FMM: Vitorino, Janita Salomé e Grupo Cantares do Redondo
terça-feira, 15 de junho de 2010
Konono no.1 - Assume Crash Position (2010)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Uma razão para não ir ao FMM
A Câmara Municipal de Sines, entidade organizadora do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2010, informa que foi decidido o cancelamento do palco de Porto Covo nesta edição.
A decisão tem como efeito imediato o avanço do início do festival para 28 de Julho, quarta-feira, em Sines,passando as datas do evento a ser 28, 29, 30 e 31 de Julho.
Esta alteração não afecta os concertos já anunciados para o Castelo e a Av. Vasco da Gama.
O cancelamento do palco de Porto Covo e, em paralelo, a introdução de medidas de gestão para tornar mais eficiente a realização do evento em Sines, inserem-se num plano de contenção de custos da autarquia motivado pela quebra de receitas agravada pela crise nacional e internacional que atinge actualmente um momento de especial gravidade.
A organização procurou uma solução que garantisse o cumprimento das datas e do modelo inicialmente anunciado, mas tal não se mostrou possível no seu actual quadro financeiro.
Nesta conjuntura, o esforço foi direccionado para diminuir os custos inerentes à dispersão de palcos e à longa duração, eliminar as despesas de produção que não afectam o resultado artístico e concentrar os meios no essencial: um programa que, embora mais curto, terá no seu alinhamento de concertos toda a qualidade e impacto positivo a que o público do FMM está habituado.
A Câmara Municipal de Sines pede a devida compreensão a todos e em particular aos participantes no festival em Porto Covo, assim como à população e comerciantes da freguesia, tendo em conta as suas expectativas.
domingo, 13 de junho de 2010
Céu - Vagarosa
quinta-feira, 10 de junho de 2010
The Feelies - Crazy Rhythms
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Brant Bjork - Gods & Goddesses (2010)

Todos nós temos, e teremos sempre, momentos altos e baixos na vida. Dunas imensas e fatigantes para subir, bem como belas descidas para deslizar.
E também é natural que todos nós tenhamos uma forma ou outra de ultrapassar os maus momentos, superando as mágoas ou ganhando confiança para os actos seguintes. Bem como a forma gloriosa e doce de saborear algo vitorioso.
Eu coloco Brant Bjork como sendo um dos protagonistas da banda sonora da minha vida. Associo seus temas a ambas vertentes que vão decorrendo no meu dia a dia. Se por um lado o ex-membro dos Kyuss consegue tornar meus maus momentos, em momentos de coragem, de força e de simplicidade. Por outro, tal som me leva ao estado de euforia e de festejo. Primeiro concerto que vi deles foi aqui pelo Porto, no Porto-Rio. Segundo concerto foi no Roadburn 2010 na Holanda. Tem uma vasta discografia que eu admiro muito e que não sei muito bem como a aconselhar, no entanto coloco aqui em destaque este seu novo álbum, uma vez que o achei igualmente muito bom, e que possui uma faixa em que fala de Portugal e mais propriamente do Porto, ora a música não poderia ter outro nome além de Porto né?... Pois é!! Uma bela música e um belo CD.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Nova lista Aquarius Records
Fim-de-fim-de-semana
domingo, 6 de junho de 2010
African Herbsman
O melhor disco do Marley? É fruto de umas sessões produzidas pelo Lee Perry e com o auxílio dos Upsetters, em 70. Muitas canções são regravadas mais tarde (as versões aqui são indiscutivelmente melhores: compare-se a 400 years aqui (vibrante, marcial, só apetece erguer o punho e esmurrar o ar - cuidado é com o espelho retrovisor) , e no Catch A Fire). Aliás, o Catch A Fire, uma palavra para ele: ugh. Gostava de gostar do disco, é o único original que tenho do Marley, gosto da capa, tem uma ganza, tem a Stir It Up, a Rock it Baby, mais uma ou outra, mas a produção daquilo, uga, é tão cuidada e polida e delicada, e o disco é tão sério e político e sizudo. Não vale um corno* (o Burnin que sai depois, esse sim, só clássicos uns depois dos outros e produção é o que deve ser). Mas este é melhor ainda. É Lee Perry, por isso tem assim aquela resolução sonora bastante rrrhhhh muito metálica e tchk pring ping. O Lee Perry é genial e é um actor decisivo neste disco pois claro. Este disco é tanto dele como dos Wailers. O gajo deu-nos o The Heart Of The Congos, que é um melhor disco de sempre e que merecerá eventualmente uma dedicatória por estes lados. Agora, este disco, o homem de erva africano, é também um melhor disco de sempre. Tem uma melhor canção de sempre: a Put It On (mas a versão daqui, não a do Burnin' - o clímax de I rule my destiny tá imperdoalmente ausente, e claro, o Perry é um trunfo irrepetível). Ou será a Keep On Skanking? Ou a Trenchtown Rock? African Herbsman? E o medley de All In One já tem a One Love lá metida pelo meio (e é caso para se perguntar: mas o Marley escreveu tudo em 70 e depois foi só regravar temas existentes?). Vá toca a ouvir este disco inspirador (inspira, aguenta, expira), e a fumar uma ervinha que já tá tempo para tal. Há que referir a capa do disco que é saído directamente da nintendo master system.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Sabado e domingo Serralves em festa. Sábado há clubbing na casa da música por 7.5€ Cluster e Chrome Hoof. Cluster é uma das bandas mais importantes do krautrock.
Chrome Hoof é isto:
http://www.youtube.com/watch?v=RsbXIERktOQ
terça-feira, 1 de junho de 2010
Serralves em Festa
Os destaques, de acordo com o suspeito Expresso, são: "Tout va bien" (Teatro de Rua/Teatro de Objectos), Íman (Dança), Shoot the girl first (Circo Contemporâneo), James BRown's Funky Divas Versus The Revolution of th Mind (Concerto de Encerramento) e o Concerto de Jazz da Big Band do Hot Club de Portugal.
Eu vou destacar meia-dúzia de descrições que me pareceram porreiras e espero ver:
THE MAGIC I.D.: "A formação instrumental é simples, consistindo no duo de clarinetes de Kai Fagaschinski e Michael Thieke, duas guitarras (uma acústica e uma eléctrica: Margareth Kammerer e Christof Kurzmann) e duas vozes (uma feminina e outra masculina, também de Kammmerer e Kurzmann), combinadas com as manipulações electrónicas de Kurzmann."
SCHNEE: Após o regresso a Viena, os dois iniciam o projecto Schnee onde os dois começaram por explorar as diferenças fundamentais entre a música gerada por computador de Kurzmann e os sons das guitarras de Stangl.
(O Kurzmann é comum às duas bandas anteriores. E ainda toca noutro concerto. Grande cunha deve ter o homem...)
THE INTERNATIONAL NOTHING: Os dois começaram a trabalhar juntos enquanto duo de clarinetes em 2000, e dedicam-se a encontrar novas direcções na abordagem a esta original formação instrumental através da composição de peças focadas na exploração de possibilidades harmónicas e multifónicas, fundindo o som dos dois clarinetes num só, simultaneamente soando como se fossem mais do que dois instrumentos.
[Na verdade não fiquei com graaande vontade de ver nada disto que passei para aqui.]
É provável que chegue tarde nas duas noites, acabe por não ver nada disto e passe menos tempo a ouvir música do que gastei a escrever o post. E só li metade da lista de música. Mas Serralves é mesmo uma festa.

