quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Soy Cuba (1964)

A óptima banda sonora é boa é só um pretexto para este filme caber neste blog. Altamente ideológica, esta obra prima encontra-se disponível em torrent, à disposição de quem quiser socializar um produto dos anos quentes revolucionários de Cuba.

sábado, 13 de novembro de 2010

Morreu este tipo

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Women - Locust Valley

Link aqui.

domingo, 24 de outubro de 2010

Frank Zappa na TV

Sobre o papel do governo na censura. Acusado de "anarquismo" em directo, diz com toda a calma que os EUA rumavam (isto em 87) a uma teocracia fascista católica. Claro que os conservadores que o entrevistam se riem e dizem "Mr. Zappa, tell me you're joking".

Puredata

Random Symphony in rythm. from Didier Ducrocq on Vimeo.

This is an example of a random music I use in my interactive video installations.
Using Pure data, Vienna Symphonic Library and Ableton live.

Everything is random. Nothing has been record. There's 4 voices, violins, alti, cellos, and bass. the time base is the second. the pure data programmation choose (random) for each voice a timing in seconds, between 0,25 , 0,50 , 1 , 2 , and 4. After that, the pitch, dynamic and lenght are random. I've put a random for modulation because in VSL, the modulation is the "glissando". I've put also a random for 5 (low) pitch, which corresponds in VSL to key switch for articulations. Pure data (using intern IAC) commands the VSL vst instrument in Ableton live.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Group Inerane - Guitars From Agadez Vol. 3 (2010)


Politicamente activos no Niger (dividendos pagos com a morte de um dos membros da banda) esta banda com estatuto mítico lança o seu segundo disco, terceiro nesta série de Sublime Frequencies. Música de transe, excessivamente lo-fi, uma espécie de Tinariwen ainda mais hipnóticos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Artigos científicos - 1

O Melhor Disco de Sempre abre nova loja dedicada a estudos científicos relacionados com música.

Both music preferences and the substance use behavior of peers are important elements in explaining adolescent substance use. The extent to which music preference and peer use overlap in explaining adolescent substance use remains to be determined. A nationally representative sample of 7324 Dutch school-going adolescents (aged 12–16) provided data on music preferences, substance use behaviors and perceived number of peers using substances. Factor analyses showed that preferences for eight music genres factored into four styles: Pop (chart music, Dutch pop), Adult (classical music, jazz), Urban (rap/hiphop, soul/R&B) and Hard (punk/hardcore, techno/hardhouse); substance use was indicated by smoking, drinking, and cannabis use. Structural equation modeling revealed that the relationship between music preference and substance use was either wholly or partially mediated by perceived peer use. Music can model substance use and fans of different types of music may select friends with use patterns that reinforce their own substance use inclinations.

(Conclusões: Unfortunately, we could not determine whether or not this effect reflects a disposition to seek intense experiences, whichpertains to choices such as music preferences and behaviors such as substance use. An alternative explanation could be thatmusic listening, music videowatching, and behaviors of artists as related in the media influence adolescents to engage in riskybehaviors such as substance use. The reported associations could also arise from an interaction between disposition and sociallearning from lyrics, videos, and artists. To further elucidate mechanisms of self-matching selection and social learning,
additional information such as importance of music, time spent listening and degree of identification with artists and theirmusic would help in providing a more comprehensive picture.)

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O que tenho ouvido

A WMFU é a melhor rádio do mundo.

nick cave - the good son



Um dos melhores discos do Nick Cave (e provavelmente o meu preferido). Emana daqui uma misteriosa melancolia difícil de exprimir em palavras (tentei e desisti). Perfeito para os dias de chuva que estão a chegar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Broken Social Scene (Video)


(Cheguei lá pelo 5Dias)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

spirit they're gone spirit they've vanished



O primeiro disco de Animal Collective (apenas Avey Tare + Panda Bear) distingue-se dos restantes trabalhos da banda: aqui existe uma acentuada sensibilidade pop/melódica (que apenas encontra paralelo nos trabalhos mais recentes da banda) que convive com os ambientes sonoros experimentais, misteriosos e mágicos, típicos dos discos que se seguiram a este (here comes the indian, campfire songs). Isto é muito muito bom, tipo, o melhor disco de sempre. Destaque para o último tema, uma obra prima de 12 minutos e meio, Alvin Row.

sábado, 11 de setembro de 2010

11 de Setembro é dia de Homenagem a Victor Jara


Dedicado à imprensa em geral, pelo seu trabalho incansável em promover o 11 de Setembro de 2001 ao estatuto de único acontecimento que se tenha dado a 11 de Setembro. Dedicado também às mãos sujas de sangue da "democracia" americana e aos esforços para a espalhar pelo Mundo. Dedicado aos 3200 mortos do segundo mundo, que valem sempre menos que 3000 do primeiro.





Aqui fica um artigo que relata a morte de Victor Jara.


Con voz estentórea, el oficial repentinamente gritó al ver a un prisionero de pelo ensortijado:

-¡A ese hijo de puta me lo traen para acá! -gritó a un conscripto, recuerda el abogado Boris Navia, uno de los que caminaba en la fila de prisioneros.

"¡A ese huevón!, ¡a ése!", le gritó al soldado, que empujó con violencia al prisionero. "¡No me lo traten como señorita, carajo!", espetó insatisfecho el oficial. Al oír la orden, el conscripto dio un culatazo al prisionero, que cayó a los pies del oficial.

-¡Así que vos sos Víctor Jara, el cantante marxista, comunista concha de tu madre, cantor de pura mierda! -gritó el oficial. Navia rememora. Es uno de los testigos del juez Juan Fuentes, que investiga el asesinato del cantautor, uno de los crímenes emblemáticos de la dictadura, porque Jara fue con su guitarra y con sus versos el trovador de la revolución socialista del Gobierno de Allende en Chile. Por su impacto y la impunidad en que están los culpables, el crimen de Jara es en Chile el equivalente al asesinato de Federico García Lorca en España.

"Lo golpeaba, lo golpeaba. Una y otra vez. En el cuerpo, en la cabeza, descargando con furia las patadas. Casi le estalla un ojo. Nunca olvidaré el ruido de esa bota en las costillas. Víctor sonreía. Él siempre sonreía, tenía un rostro sonriente, y eso descomponía más al facho. De repente, el oficial desenfundó la pistola. Pensé que lo iba a matar. Siguió golpeándolo con el cañón del arma. Le rompió la cabeza y el rostro de Víctor quedó cubierto por la sangre que bajaba desde su frente", cuenta a este periódico el abogado Navia.

Los prisioneros se habían quedado pasmados mirando la escena. Cuando el oficial, conocido como El Príncipe y hasta hoy no identificado con plena certeza, se cansó de golpear, ordenó a los soldados que pusieran a Jara en un pasillo y que lo mataran si se movía. El autor de canciones como El cigarrito y Te recuerdo Amanda, que Serrat, Sabina, Silvio Rodríguez y Víctor Manuel han incorporado en sus repertorios, entró así al campo de prisioneros improvisado por los militares donde vivió sus últimas horas.



Victor Jara foi um trovador excepcional, ao nível de um Zeca Afonso. A sua música foi, primeiro de protesto e depois de "intervenção", promovendo a construção de uma nova sociedade, durante os 3 anos do governo socialista de Allende.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ligação directa

Post bom com download bom num blog bom. Bom fim-de-semana.

(Edit: porra, isto vale mesmo a pena.)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

James Blackshaw - All is Falling




Há um par de anos eu e os dois Migueis tivemos o prazer de ver a este mago da guitarra, com o não-menos-mago tipo cujo projecto se chama Six Organs of Admittance, ao vivo no Passos Manuel, no Porto.

Ao vivo, JB apresentou-se sozinho com a sua guitarra acústica de cordas de aço, num palco relativamente grande para tão pequeno aparato. Os dedilhados das composições minimalistas foram o suficiente para encher a sala. Algo mudou desde então; espero que JB apresente estas novas composições, ao vivo enchendo o palco do Passos Manuel, com todos os instrumentos que decidiu incorporar: violino(s), piano, voz (minimalista, tipo Philip Glass em que as palavras são números que marcam o tempo), guitarra eléctrica não distorcida. O minimalismo mantém-se mas com novas possibilidades que a guitarra não lhe dava. Quanto a mim, é um progresso mais que desejável.
A sexta música acaba com os violinos e a guitarra a imitarem o som de um motor de um avião a perder o power, o que deve ser uma alusão ao Helicopter Quartet do Stockhausen (esgotei as minhas duas referências de música erudita num único post!)
O álbum termina com um drone bonito de se ouvir.

k'naan , troubadour



Everybody gotta eat, but everybody doesn't
Which is why I wanna tell you about my favourite cousin
He and I grew up where the sun shines
And we both partook in the gun crimes
And we both liked American rap rhymes
Even though we didn't understand one line
If you remember my liner notes in my last album
I talked about a close call with a grenade
I think we both must've been seventh grade
But don't panic, we both survived without damage
But we developed a bond like we survived the Titanic
So when the country became frantic
My mother tried to get us out, planned it
to the last detail, except the plan got derailed
cus there wasn't enough money for the plane tickets
How bitter when my mother had to chose who to take with her
So my cousin got left in the war
And that's just hard to record


Um disco fantástico, que cumpre e supera as expectativas criadas em Dusty Foot Philosopher de 2005 (era coisa difícil). K'naan passou de revelação a confirmação. Pontos (bem) altos: Wavin' Flag, Somalia, Fatima, Take a Minute, 15 Minutes Away, People Like Me.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Forró ;)

Na certeza de arruinar qualquer reputação que possa ter relativamente a gostos musicais, vou, num acto de coragem, declamar o meu amor incondicional a uma cantora de forró quase desconhecida (com jeitinho até eu consigo 5 fans numa página palcomp3), Rosa Bahiana.

Devido a "tags" mal feitas, andei um ano para descobrir a autoria destas músicas. Agora posso finalmente partilhar a boa nova: http://palcomp3.com/rosabahiana/

As pérolas mais brilhantes serão "Seu Menino", "Mar da Galileia" e "Não Vou dar Trela". Não acham?

(Discretamente escondo-me debaixo da mesa para me proteger dos calhaus e calúnias).

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

VA - Saigon Rock & Soul: Vietnamese Classic Tracks 1968-1974 (Sublime Frequencies)

O Saigão, hoje conhecido por Ho Chi Minh, foi a capital da colónia francesa Conchichina (nome que os navegadores portugueses deram à região entre a Índia e Cochim como chamávamos à China na altura). Tendo estado ocupado por franceses até à divisão do Vietname em dois (norte comunista e sul pró-ocidente) foi o quartel-general das tropas americanas durante a sangrenta guerra que só acabou em 1975 com a invasão por parte do Norte, precisamente a esta cidade. O período em que estas músicas foram gravadas reporta, portanto ao tempo de ocupação americana.


Este disco conta, portanto com variadas influências ocidentais e orientais. É uma excelente amostra de rock com guitarras ácidas, wah-wahs, arranjos com sopros, com um ritmo muito funky e vozes carregadas de eco. Muito recomendável, dançável, cantarolável e importável.

"The tracks that form this collection cut a window into a rich musical Vietnamese music scene that has long been obscured, and for the most part, forgotten. As the scope of electrified Vietnamese music from the 1960s and 1970s begins to be revealed, it becomes evident that this was among the heaviest and most eclectic musical scenes of South East Asia at the time. These songs tell of war, love and what war does to love. All of them were recorded in makeshift studios and even US army facilities while the Vietnam War raged – and were issued by a handful of Saigon record companies on vinyl 45s and reel or cassette tapes. "

"During the 1960s and 1970s, pulp ballads were being recorded by leading crooners of the time who alternated between modern and traditional forms of regional music. When the electric guitar hit the streets of Saigon, Vietnamese renditions of contemporary instrumental trends such as surf rock, beat and twist soon emerged, followed by some pretty deep soul sounds inspired by Motown radio hits as well as funk grooves brought on by James Brown and his contemporaries."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

The Pirate Bay e os Direitos de Autor

Aqui fica um pequeno vídeo que diz respeito a um tema muito em voga. Saquem enquanto puderem, isto pode vir a dar a volta um dia.

Islaja - Ulual YYY (2007)

Islaja é um nome sonante da cena experimental finlandesa (cuja maioria lança os discos pela Fonal). Já conhecia dois discos dela, mais antigos, e que não têm uma onda muito diferente deste. E qual é a onda desta senhora? Eu diria que anda algures entre o assustador e o encantador. Vamos por partes: ela canta e compõe. O que compõe são músicas de 4 minutos que têm por base no máximo dois acordes de guitarra dedilhados, ou de piano, ou em momentos mais experimentais algumas dissonâncias que podem chatear no início (e que depois se entranham, é verdade). Os arranjos incluem teclados analógicos/astrológicos, melódicas, baixo, violino, percussão tipo pandeiretas ou algo do género. Do ponto de vista de um musicólogo vale zero: é um álbum feito num jeito pop por uma criança que não entende nada do assunto. A voz, por si só, também não faz dela uma virtuosa da coisa - ao contrário da compincha Lau Nau. Mas tudo junto, entre canções mais melancólicas - quase todas - e outras mais mexidas, umas free-form e outras com cabeça, tronco e membros (isto é, com aquela coisa de refrão e verso) faz um disco que vale a pena ouvir várias vezes, e a voz, naquele registo meio fantasmagórico, deixa algumas saudades quando o disco termina, ao som de passarinhos das bucólicas florestas finlandesas. Pelo caminho ficou um disco que, para mim, evoca a noite pelo que não vale a pena ouvir de dia - independentemente do que a rapariga lá vai cantando na estranha língua finlandesa - e os passarinhos anunciam a alvorada.

A grande canção do disco é sem dúvida a Pete P, que até teve direito a vídeo e tudo (realizado pelo ES)



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Legião Urbana - As 4 Estações



Para quem não conhece, aqui vai o disco 'As Quatro Estações' da Legião Urbana, um caso de popularidade no Brasil dos anos 80 e 90. É uma intensa viagem emocional pela alma do vocalista Renato Russo, que se tornou o porta voz de uma geração. Enjoy!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Rita Lee, Arnaldo Baptista, Os Mutantes




Meus caros amigos, aqui vão três discos que ando a ouvir compulsivamente: o 4 disco dos Mutantes (sem a alegria juvenil dos 3 primeiros), o primeiro do Arnaldo Baptista, e o disco mais popular da Rita Lee. São discos que representam a desagregação e a ressaca de uma das mais brilhantes bandas que estes ouvidos já ouviram. O tom é melancólico, o tom é cansado, é um tentar continuar sabendo que o tempo não pára e o passado já lá foi, e que bom ele foi, e o futuro que tantos sonhos motivou finalmente chegou, e o que é que se pode fazer quando se percebe que o melhor já passou? A Lee disfarça o melhor que pode, e que bem ela disfarça, e o Arnaldo coitado, o peso é demasiado. Ah, e a música é verdadeiramente excepcional. Links nos comentários.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A cena finlandesa (artigo Pitchfork)

Artigo de 2005


ES - Kesamaan Lapset (2009)

Este álbum, o quinto de ES (aka Sami Sanpakkila, que é também o fundador da Fonal Records, casa da Islaja, Lau Nau, Paavoharju, Kemialliset Ystavat e sabe deus quem mais) dá-me razões para continuar "finlandófilo". Meia-dúzia de audições repeliram uma careta tipo bébé cagão provocada pela indigestão inicial, sobretudo devida à chatice provocada a meio da quarta faixa, onde o sujeito não fode nem sai de cima e é salvo pelo som de água. Já que o objectivo do disco é provocar memórias de infância, quem sabe se esta música não era relativa a uma mijinha durante a sesta de Verão? Os títulos, traduzidos pelo cada vez melhor Google Translate:

Nome do disco - Os Filhos de Verão
01.
Pior ainda antes de ter sido
02. Junho e os lábios sorrindo
03. Raios da Alma dom.
04. O verão das crianças
05. fantasmas dom do Coração

O som que este tipo pratica pode ser descrito como um caleidoscópio de sintetizadores algures entre o barato e o arrítmico, com - raras - vozes de lenga-lengas para crianças; drones e cânticos shamânicos muito enterrados na mistura, gravados na redline. Já disse que depois da sesta e da mijinha o som se torna grandioso, triunfal? Poderá isso significar que na brincadeira pós-sesta o sujeito da direita decapita o da esquerda e este se esvai em sangue que cada vez menos jorra, como os sintetizadores que a terminam? (Pergunta bónus: porque é que não é o da esquerda que decapita o da direita?)

O que é certo é que há um universo muito estranho por detrás deste som - e da Fonal em geral - com que me vou entreter nos próximos tempos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

The Chemical Brothers - Further



























Se me dissessem que este disco foi o melhor que se fez na Polónia em termos de electrónica nos idos 1982, acreditaria. Sintetizadores, batida, produção, tudo é sujo e nada moderno. (Haverá coisa mais moderna que isto?) Não é um disco orientado para singles como Out of Control ou Hey Girl Hey Boy, nem nada que se pareça.

Surpresa para os momentos rock'n'roll.

Esta coisa chegaria a lado nenhum sem o selo Chemical Brothers.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Aquele querido mês de Agosto

O que dizem os críticos:

“Atenção, objecto não identificado, de conteúdo altamente popular e poético. Esse monstro delicado, que deixa o espectador feliz, chega de Portugal.”
Le Monde, Jacques Mendelbaum

“Miguel Gomes tem uma qualidade que falta a quase todo o cinema mundial hoje: imaginação. Transbordante, louca, precisa, maníaca.”
Libération, Philippe Azoury

“Um filme único que nos faz recordar muitos outros filmes e situações de vida, mas diferent de tudo.”
Miguel Gomes Retrospective – BAFICI

O que digo eu: para quê aquela palhaçada de "documentário" de uma hora, quando a hora que o filme tem chega perfeitamente? Essa atitude de "somos low cost pra caralho, fomos para "o campo" filmar e ficámos sem dinheiro e saiu aquilo" é atitude de lisboeta para inglês ver e ganhar prémios na França.

Sines para mim foi assim

Do caralho.

1ª divisão: Tinariwen, Vitorino e Janita, Barbez, Wimme, Cheik Tidiane Seck feat. Mamani Keita.

A Sa Dingding é uma cópia chinesa da Celine Dion.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sun Ra Arkestra - Face the Music

VA - The Doo Wop Box Vol.1

Uma compilação em que participam 24 bandas cujo nome começa em "The" só pode vir do punk ou do doo wop. Bandas chamadas The Jewels, The Rainbows e The Valentines colocam o punk como uma hipótese muito remota, sobretudo se têm músicas chamadas "Hearts of Stone", "Mary Lee" e "Lily Maebelle", respectivamente.

A vantagem desta música é que é capaz de derreter o coração de um punk todo furado como se fosse feito de manteiga, ao passo que submeter estes sujeitos a um "I wanna be sedated" não resultava minimamente. Há músicas de teor religioso: juro que se houvesse em Portugal uma qualquer religião de big fat mommas a cantar Crying in the Chapel aos domingos me teriam sempre à escuta à porta do templo.

Mas o reino aqui é, sem dúvida, a lamechice. A palavra "fool" é a rainha e senhora do álbum. "I'm just a fool, a fool in love with you" (em Earth Angel dos magníficos The Penguins) resume perfeitamente o sentimento dominante do disco. Fica de trabalho de casa para os incansáveis leitores (os estagiários, oh Cortez!) fazer uma lista de frases do disco que giram à volta da palavra "fool".

À quinta ou sexta audição não consigo parar de ouvir esta coisa. Entrei neste castelo pela porta da traição (com as magníficas homenagens de Frank Zappa ao doo wop) mas sou apenas um fool in love com esta melhor compilação de sempre. É como diz a capa: "The only doo wop collection you'll ever need". Resta acrescentar que este disco é aqui postado porque consta (pelo menos na wikipédia) que o doo-wop morreu no início dos anos 60, portanto há meio século.






PS: Ao subir para casa no elevador, dei por mim a trautear uma música da minha infância. De uma banda que não recorreu a sujeitos com o apelido Johnson ou Tyrone.

A quadra

"Estou tão deprimido
Sem saber que fazer
Pobre e mal vestido
Com a barba por fazer."

é a quadra mais doo wop de sempre. Ena Pá 2000, os mais que míticos, ao vivo, em 1992 na melhor balada-doo-wop-surf-rock de sempre cantada em português! (Retira-se o crédito da porta da traição ao Sr. Zappa)



U-Roy Super Boss



Fantástica compilação de temas iniciais do U-Roy. Roasting por cima de clássicos rocksteady, isto é um docinho.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

the heart of the congos



O melhor disco reggae de sempre. Se não é, anda lá perto. Perfeito.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

U-Roy - Dread in a Babylon

Este avôzinho do reggae também vai ao FMM. Este disco é excelente. O U-Roy tem uma onda muito fixe (arriscaria chamar a isto uma fusão de dub com rocksteady), uns tiques vocais deliciosos (uaiiie) e se tiver o prazer de acender um cigarro daqueles que fazem rir ao mesmo tempo que ouço a I Can't Love Another, vou ser um gajo bem feliz. Viva o Halie Sellassie, Tafari Makonnen, Sua Majestade Imperial Haile Selassie I, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá e Eleito de Deus, Janhoy, Talaqu Meri, Abba Tekel, Jah, HIM, Jah Rastafari, Tetragrammaton*.

*Não confundir com o Transformer do mesmo nome.

The Mekons Rock n'Roll

Este disco não engana - de caras um dos melhores discos rock que já ouvi. E vão ao FMM. Dar um concerto. Uma cena onde a banda está em cima de uma estrutura elevada um metro ou dois do chão e tocam músicas e a malta pode ver. Por acaso deve ser fixe. Pessoal que vai a Sines: não se esqueçam de ver concertos. (Tá um gajo no Jay Leno a tocar a Rocket Man do Elton John e conseguiu algo que o Elton não conseguiu: tornar a Rocket Man gay. Que paradoxo.)

Gadgets

Em homenagem aos media corporativos e à música de qualidade, decidi O Melhor Disco de Sempre decidiu adicionar um gadget (ali do lado direito, nada visível) em homenagem à grandiosa MTV.

PHARAOH OVERLORD - SILUURIKAUDELLA (2010)


Os Pharaoh Overlord voltam ao activo, depois de 3 anos de hiato. São - mais - uma banda paralela de Circle. Na Ektro, editora afilhada ou madrinha dos Circle fala-se em três guitarras, um baixo e uma bateria o que, a manterem a line-up do passado, são os Circle menos o vocalista Mika Rättö, mais uma dupla de irmãos como guitarristas.

Os Pharaoh Overlord foram, no passado, os space-rockers que se iniciaram num stoner repetitivo, uma espécie de Circle com riffs mais pesadotes, na - melhor, para mim - fase dos discos I e II, mais tarde o motorik III , tendo vindo a integrar (em conjunto outras 7 ou 8 bandas paralelas a Circle) o movimento NWOFHM com o disco IV. Entretanto lançaram também dois álbuns ao vivo, Battle of the Axehammer e Live in Suomi Finland (que ainda não ouvi).

O novo disco (cujo nome corresponde a uma das eras medidas na escala de tempo geológico) é composto por três faixas, num conjunto perto de 50 minutos. Por si, é já uma mudança significativa. Os títulos traduzem-se (pelo menos no Google Translate) em Torre de Água, Parte de Carcaça e Desenhos. Faceta Fiambre não era capaz de fazer melhor, no que toca a nomes.

No que toca à música, ou melhor dito, ao som, os tipos colocaram-se nos antípodas daquilo a que nos habituaram. Onde havia um baterista motorik (aqui, no fantástico trio synthpop Aavikko, nos Circle) há um brontoscorpio entretido em grande parte do álbum (que dá um show do caralho na segundo música, ainda assim). Onde havia 4 marmanjos entretidos a insistir a música toda
no mesmo riff há o contrário: um Orthoceras regulare, um Eurypterus, um Cephalaspis e um Cooksonia a desenhar paisagens.

A julgar pelos nomes, é como se estes tipos se tivessem fechado na sala de aulas de Geologia do Liceu, repleta de fósseis, imagens e projecções do National Geographic e estivessem a tocar cada um para seu lado. Tirando nas alturas - impossivelmente improvisadas - em que tudo parece fazer sentido.

Acabado o álbum, acabou a viagem, o NWOFHM e, companheiros, chegámos ao Holoceno!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Robert Johnson




É o homem que inspirou a personagem que vendeu a alma ao diabo para tocar guitarra do Brother Where art Thou.
Bota Blues melhor de sempre.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Leningrad Cowboys go to America [1989] (um filme de Aki Kaurismaki)




Depois de ver este incrível filme pela segunda vez sou obrigado a postar qualquer coisa sobre ele. (À medida em que vou ouvindo o que postei aqui e acho que exagerei no pessimismo; afinal é o melhor disco de sempre; ou é agitprop a surtir efeito?)

Este filme é fantástico porque tridimensional, mesmo sem precisar dessas merdas dessas TV's que agora apareceram e que transmitem - wow! - a 3 dimensões como no mundo lá fora. Tridimensional porque tem o melhor de três universos: é um filme de estrada, um musical e uma comédia (esta não é bem uma dimensão, ou é?)
E político, também! Lançado no ano da queda do Muro, todo ele é política - da história não conto nada - repetindo o que Aki Kaurismaki sempre mostra nos seus filmes: um grito de revolta contra os moldes da sociedade; e fá-lo tanto em relação ao ocidente como ao antigo "socialismo real". Isto pode ser notado do início ao fim do filme, quando - porra agora vou ter de contar um bocado.
Comecemos pelo início: na tundra finlandesa (ou mais concretamente na união soviética ainda que se fale finlandês) uma banda faz uma audição para um burocrata que, através de outro burocrata - o "manager" - os envia para a América onde "se consome qualquer merda". Ali não servem porque não são comerciais. E lá vão eles, partem primeiro nos seus tractores (os veículos usados nos filmes de Kaurismaki são sempre fantásticos) como um conjunto de motards harley-davidson americanos quaisquer, mas com uma pinta mais Elvis. O momento mais político é o subcapítulo "revolução" em que o grupo despede o manager burocrata que acaba por ser libertado pelo maluco da aldeia, que volta a submeter a banda à "democracia". Aqui está um texto que quero ler sobre o filme quando tiver tempo.

O resto é História. É sem dúvida o melhor musical de sempre. A banda existe mesmo e, além de dois filmes, lançou um documentário e 9 álbuns, entre os quais um com o coro do exército vermelho (é curioso eu ter falado do coro no outro post e descobrir no mesmo dia que estes tipos tocaram com eles!)

O fim do filme acaba por ser um alívio; faz com que ele tenha a duração certa, apesar de não deixar um minuto chato que seja; assim como os poucos e medidos diálogos. Surreal.

[Faceta precisa de fazer um filme em viagem.]

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Radio Pyongyang: Commie Funk and Agit Pop from the Hermit Kingdom


Em homenagem aos 7-0 que espetámos à Coreia do Norte, a única prestação da selecção nacional que, no Mundial 2010, não envergonhou os portugueses. Com o selo de garantia da Sublime Frequencies.

A produção desta coisa é simplesmente horrível. O eco da voz, o baixo foleiro, o tom-tom da bateria que valha-me deus.
Há interlúdios sacados da rádio (à semelhança de outras edições da Sublime Frequencies) que nos dão conta de notícias que frequentemente falam do querido líder Kim Jong-il. Ah, mas logo na primeira música canta-se em honra ao eterno líder, seu pai, Kim Il-Sun. Também há coros, quase natalícios. Excertos de rádio com mensagens codificadas, de espionagem ou contra-espionagem (conforme aquela colectânea chamada "Conet Project"). Baladas capazes de levar a lágrima ao canto do olho da Ágata (que, ultimamente, se dedica ao tarot e não estou a brincar). Uma ópera de nove minutos, mais ou menos decente. Um conjunto de criancinhas amestrada, certamente estrelas dos impressionantes jogos de massas. Depois de tudo isto, a última música é poderosa, arrebatadora, gloriosa e digna do coro do exército vermelho soviético. Acaba por salvar o álbum.

Pergunto-me se os sujeitos da Sublime Frequencies terão recolhido o material eles mesmos, e como terá sido essa experiência, depois de terem rodado os cantos mais obscuros do sudeste asiático.

Em suma, o menos bom que ouvi compilado por Sublime Frequencies: um país que produz música desta devia levar 10-0 de Portugal. Quase não vale a pena sacar isto.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

antonio carlos jobim - wave


Terceira audição do disco e o veredicto é sentido: wow, ouvir isto é um prazer infinito. Link nos comentários.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fausto ao vivo na capital (publicado no Público para o público)

Mês e meio passados sobre um outro concerto de programa (o encerramento do ciclo Música e Revolução, a 1 de Maio, que encheu e fez vibrar a Casa da Música no Porto), Fausto Bordalo Dias respondeu com uma noite memorável de música e sonhos ao desafio que o CCB lhe lançou na “carta branca” de 2010: encenar, em estreia absoluta, a Trilogia que há três décadas ele vem construindo em torno das descobertas portuguesas.

Assim, o barco que ia de saída há 28 anos em “Por Este Rio Acima” vem agora de chegada, majestoso, sem fronteiras claras entre princípio e fim, até porque não há um fim claro nesta história, Fausto já o disse, as descobertas nunca acabam. Nem a guerra, nem o amor, nem a vã cobiça. E foi deste modo que, de sala cheia, o CCB ouviu ecoar entre as paredes do seu auditório sete canções que nunca antes tinham sido tocadas em palco mais uma, que na voz de Ana Moura já conquistou as graças do público: “E fomos pela água do rio”, “Velas e navios sobre as águas”, “E viemos nascidos do mar”, “Nos palmares das baías”, “Fascínio e sedução”, “À luz mais frágil das auroras”, “À sombra das ciladas”, todas na sequência que terão no futuro disco, serão as primeiras sete, e, num salto mais para a frente (será a décima), “Por altas terras de montanhas”.

Quem olhou o programa da sala, tinha lá tudo: a ideia do desafio, a lista dos músicos, o alinhamento do espectáculo e as letras das 22 canções apresentadas, bem como excertos dos livros de viagens que as inspiraram. Menos a música, claro. E foi esta que, ali posta a nu, desvendou a consistência e rigor desta nova proposta que há-de suceder às obras-primas absolutas “Por Este Rio Acima” (1982) e “Crónicas da Terra Ardente” (1994).

As terras são de África, os sons não. Porque a visão é a dos descobridores e o seu olhar só podia, assim, ser envolto em harmonias e ritmos portugueses. Por isso, ouvido o marulhar das águas em “off”, no início do espectáculo, na música de “E fomos pela água do rio”, uma bela balada, sente-se o encantamento que as palavras contêm: “a maré foi de rosas”, “o meu corpo suado/ embalado/ flutua e descansa”. Tal como se sente a sensualidade quente de “Fascínio e sedução”, sublinhada pela forma única como Fausto afaga as palavras: “Gira gira como um pião/ treme como a seda/ pela palma da mão”.

Do mesmo modo se sente o fragor da guerra no tropel rítmico, quase ofegante, de “À sombra das ciladas” (“estilhaçam ossos/ cuspindo sangue/ e vomitam almas penadas (…) imaculados sejam/ também/ e repousem em santa paz/ amén”). Ou a penosa mas inebriante viagem de “Por altas terras de montanhas”, sublinhada num troar dos adufes a que se juntou, por uma única vez em todo o espectáculo, o responsável pela direcção musical: “o meu querido amigo José Mário Branco”, como Fausto o apresentou.

O resto do espectáculo foi, já não de descoberta mas de reencontro. Mal se ouviram os tambores de “Ao som do mar e do vento”, vieram as palmas. Que se repetiriam muitas vezes, aos primeiros acordes de cada canção ou no final, reforçadas; ou ainda a marcar ritmos entranhados de tal modo na maneira de ser portuguesa que se torna irresistível para muita gente acompanhá-los, sejam os da chula ou os do corridinho, que Fausto tem feito questão de recuperar da forma mais nobre e contemporânea, sem concessões. Foi isso, aliás, que se verificou no “intervalo” instrumental, quando João Ferreira e Mário João Santos ensaiaram na percussão e bateria um “duelo” em improviso. A dada altura, as palmas cadenciadas encalharam no ritmo da chula e continuaram assim, por sugestão dos músicos, em “loop” físico, enquanto eles criavam por cima outras malhas rítmicas.

A fase “Por Este Rio Acima” foi, por fim, toda ela de exaltação colectiva, como seria de esperar. A começar no tema que dá título ao disco e a acabar n’“O barco vai de saída”, com uma ligeira alteração no alinhamento: “Olha o fado” antecedeu “Lembra-me um sonho lindo” e não o contrário, como estava escrito. Nada que interrompesse a fluente narrativa fílmica destas viagens, com tantos ecos de tantas eras. A insistência da plateia forçou um “encore”, único, já com muitas vozes a gritar títulos de canções, a tentar a sorte. Ouviu-se uma, contagiante como sempre: “Navegar, navegar”. Ela própria, neste contexto, também um programa. Porque a navegação continua e a história também. O barco ainda não atracou.

NOTA: A recriar esta viagem em 22 canções estiveram no palco, com Fausto (voz e guitarra), músicos que têm dado o seu melhor em muitos espectáculos para que o som que ouvimos reproduza inesquecíveis travessias: João Maló (guitarra), Miguel Fevereiro (guitarra), Filipe Raposo (piano), Enzo d’Aversa (teclados, acordeão), Vitor Milhanas (baixo), João Ferreira (percussões) e Mário João Santos (bateria). Os arranjos e direcção musical do espectáculo foram feitos, a pedido de Fausto, por José Mário Branco, como resultado imediato da aventura musical que juntou ambos a Sérgio Godinho no projecto “Três Cantos” (gravado em CD e DVD), em Novembro de 2009.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Em destaque no FMM: Vitorino, Janita Salomé e Grupo Cantares do Redondo

“O Alentejo precisava de abrir as suas portas à aventura, sair de si mesmo, ouvir outros cantes, outras vozes, sem deixar os seus…”, escrevia em 1903 o padre António Marvão, musicólogo de referência na protecção e divulgação do cante alentejano. Este é um projecto pensado dentro desta filosofia: a melhor forma de preservar o cante é modernizá-lo. As interpretações estão a cargo do Grupo de Cantadores de Redondo, fundado em 1977, pelos irmãos Salomé, Janita e Vitorino, com a “tutela” de Zeca Afonso. De características urbanas, este grupo cedo adquiriu prestígio pela versatilidade e qualidade das vozes. Uma versatilidade natural, uma vez que no concelho de Redondo se encontram a tradição do cante polifónico com a de modos de cantar mais ligeiros próprios do Alentejo que se estende a norte da Serra d’Ossa. Janita e Vitorino assumem o risco de compor modas alentejanas sobre textos escritos por António Lobo Antunes, bem como o de envolverem instrumentalmente modas inscritas numa tradição sedimentada ao longo de muitas gerações. Inovação e risco são as palavras que melhor definem este projecto em estreia absoluta no FMM 2010.

Adorava encontrar link para download. Deixo este link que tem um som. Eu e o Puli vimos este coro no avante! e foi muita bom. (O som não demonstra bem o que vimos ao vivo, que foi mais do género de coro alentejano com uns 30 homens.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Konono no.1 - Assume Crash Position (2010)


Há dois tipos de pessoas que devem, a bem da Humanidade, continuar "a ser eles mesmos".

1 - Os ex-participantes do Big Brother. A realidade é que se eles deixam de ser iguais a si mesmos, passam a ser diferentes de si mesmos, o que leva a que não sejam eles os inventores da expressão.

2 - Os tipos que tocam nos míticos Konono no.1, a melhor banda de dance music de todos os tempos (não exactamente, dessa dance music).

Ritmos frenéticos saídos da República Democrática (ou assim-assim) do Congo. Pura festa. Yayayé. Mutataté.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Uma razão para não ir ao FMM

Reproduzo um comunicado da organização do FMM:

A Câmara Municipal de Sines, entidade organizadora do FMM Sines – Festival Músicas do Mundo 2010, informa que foi decidido o cancelamento do palco de Porto Covo nesta edição.

A decisão tem como efeito imediato o avanço do início do festival para 28 de Julho, quarta-feira, em Sines,passando as datas do evento a ser 28, 29, 30 e 31 de Julho.

Esta alteração não afecta os concertos já anunciados para o Castelo e a Av. Vasco da Gama.

O cancelamento do palco de Porto Covo e, em paralelo, a introdução de medidas de gestão para tornar mais eficiente a realização do evento em Sines, inserem-se num plano de contenção de custos da autarquia motivado pela quebra de receitas agravada pela crise nacional e internacional que atinge actualmente um momento de especial gravidade.

A organização procurou uma solução que garantisse o cumprimento das datas e do modelo inicialmente anunciado, mas tal não se mostrou possível no seu actual quadro financeiro.

Nesta conjuntura, o esforço foi direccionado para diminuir os custos inerentes à dispersão de palcos e à longa duração, eliminar as despesas de produção que não afectam o resultado artístico e concentrar os meios no essencial: um programa que, embora mais curto, terá no seu alinhamento de concertos toda a qualidade e impacto positivo a que o público do FMM está habituado.

A Câmara Municipal de Sines pede a devida compreensão a todos e em particular aos participantes no festival em Porto Covo, assim como à população e comerciantes da freguesia, tendo em conta as suas expectativas.

domingo, 13 de junho de 2010

Céu - Vagarosa

Este ano estou a fim de voltar a Sines, vou postando algumas bandas que vão lá este ano a ver se vos convenço a virem também.

O primeiro post é duma brasileira. Diz lá no site que o caetano veloso diz que é o futuro da música popular brasileira e a cousa é mesmo boa.

olha só:

quinta-feira, 10 de junho de 2010

The Feelies - Crazy Rhythms


Não costumava gostar dos anos 80. Isto é todo 80s e é fixe.
Têm o seu quê de new wave mas bota umas guitarras altamente e reminiscências kraut.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Brant Bjork - Gods & Goddesses (2010)


Todos nós temos, e teremos sempre, momentos altos e baixos na vida. Dunas imensas e fatigantes para subir, bem como belas descidas para deslizar.
E também é natural que todos nós tenhamos uma forma ou outra de ultrapassar os maus momentos, superando as mágoas ou ganhando confiança para os actos seguintes. Bem como a forma gloriosa e doce de saborear algo vitorioso.
Eu coloco Brant Bjork como sendo um dos protagonistas da banda sonora da minha vida. Associo seus temas a ambas vertentes que vão decorrendo no meu dia a dia. Se por um lado o ex-membro dos Kyuss consegue tornar meus maus momentos, em momentos de coragem, de força e de simplicidade. Por outro, tal som me leva ao estado de euforia e de festejo. Primeiro concerto que vi deles foi aqui pelo Porto, no Porto-Rio. Segundo concerto foi no Roadburn 2010 na Holanda. Tem uma vasta discografia que eu admiro muito e que não sei muito bem como a aconselhar, no entanto coloco aqui em destaque este seu novo álbum, uma vez que o achei igualmente muito bom, e que possui uma faixa em que fala de Portugal e mais propriamente do Porto, ora a música não poderia ter outro nome além de Porto né?... Pois é!! Uma bela música e um belo CD.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Nova lista Aquarius Records

A Aquarius Records é um belo lugar para pescar nova música. Esta ferramenta deve ser usada e abusada.

Sun City Girls - Torch of the Mystics



Ouvir,dirigir-se ao deserto mais próximo e desenterrar o que estiver por descobrir.

Fim-de-fim-de-semana

Serralves é fixe. Mesmo quando está em festa.


Da casa propriamente dita - ou do museu, ou lá como os rotos chamam àquilo

Não sou dado à arte contemporânea pelo que, quando entro no museu para ver a exposição que lá está, subsidiada pelos impostos de outros incultos que não eu, não me consigo deter mais que 20 segundos diante de cada uma das peças com que me deparo. Sobretudo quando estou bêbado e me encontro rodeado de gente fina que acha tudo "giríssimo". Perdoem-me os rotos: o que vi por ali não era giríssimo, tirando uma casa-de-banho muito mais cheirosa que aquelas já com uma dada rodagem festivaleira, espalhadas pelo parque. E o bolo de arroz no bar também estava bom. Portanto, eu proponho fazermos uma petição online com o objectivo de promover, no próximo Serralves em Festa, uma utilização mais racional dos fundos da Fundação, que devem, fundamentalmente, assentar nos seguintes fundamentalismos:

- Colocadar telas, na casa-de-banho, com a finalidade de serem urinadas e, consequentemente, transformadas em peças de arte contemporânea, a exportar para países mais ricos.
- Construção de barraquinhas com comida e bebida à discrição (porra, 2 euros o fino não sai barata feira!)


Dos concertos e das coisas bonitas que lá vi

Como seria de esperar, um mar de gente e música, muita música. Que me lembre, assim de repente, só me vêm à cabeça 3 concertos de big bands de jazz, todos eles muito bons. O público sentado nas cadeiras do prado era, na sua maioria, enfadonho, velho e aristocrata ao ponto de se chocar ao ouvir a palavra "mijar".


Do muito que se passou no Clubbing - Casa da Música

Depois de caminhar um quarto de hora - numa escala do tempo à Apolinário ou Cortez - lá fomos ter à Casa da Música, onde nos aguardava o momento alto da noite, Cluster e Chrome Hoof. Tragicamente adormeci ao final de 5 minutos do primeiro concerto, para acordar uns 10 minutos antes do final; contudo tive a sensação de não ter perdido nada de outro mundo, além de meio bilhete de 7.5€, que não veio a defraudar o outro meio. Mas o ter pouco para dizer sobre o concerto chega-me para desafiar o Cortez a estrear-se no blog e escrever o que lá viu e ouviu. Milhares de leitores diários (temos de meter uma daquelas coisas do SITEMETER!) aguardam.

domingo, 6 de junho de 2010

African Herbsman


O melhor disco do Marley? É fruto de umas sessões produzidas pelo Lee Perry e com o auxílio dos Upsetters, em 70. Muitas canções são regravadas mais tarde (as versões aqui são indiscutivelmente melhores: compare-se a 400 years aqui (vibrante, marcial, só apetece erguer o punho e esmurrar o ar - cuidado é com o espelho retrovisor) , e no Catch A Fire). Aliás, o Catch A Fire, uma palavra para ele: ugh. Gostava de gostar do disco, é o único original que tenho do Marley, gosto da capa, tem uma ganza, tem a Stir It Up, a Rock it Baby, mais uma ou outra, mas a produção daquilo, uga, é tão cuidada e polida e delicada, e o disco é tão sério e político e sizudo. Não vale um corno* (o Burnin que sai depois, esse sim, só clássicos uns depois dos outros e produção é o que deve ser). Mas este é melhor ainda. É Lee Perry, por isso tem assim aquela resolução sonora bastante rrrhhhh muito metálica e tchk pring ping. O Lee Perry é genial e é um actor decisivo neste disco pois claro. Este disco é tanto dele como dos Wailers. O gajo deu-nos o The Heart Of The Congos, que é um melhor disco de sempre e que merecerá eventualmente uma dedicatória por estes lados. Agora, este disco, o homem de erva africano, é também um melhor disco de sempre. Tem uma melhor canção de sempre: a Put It On (mas a versão daqui, não a do Burnin' - o clímax de I rule my destiny tá imperdoalmente ausente, e claro, o Perry é um trunfo irrepetível). Ou será a Keep On Skanking? Ou a Trenchtown Rock? African Herbsman? E o medley de All In One já tem a One Love lá metida pelo meio (e é caso para se perguntar: mas o Marley escreveu tudo em 70 e depois foi só regravar temas existentes?). Vá toca a ouvir este disco inspirador (inspira, aguenta, expira), e a fumar uma ervinha que já tá tempo para tal. Há que referir a capa do disco que é saído directamente da nintendo master system.

* um corno de mamute revestido a diamante e com um cristal telepático no interior. Poucos discos** valem isso (só os voadores).

** décima primeira vez que escrevo disco neste texto.

*** Relembrando o Kaya neste momento, acho que sou gajo para mudar de opinião relativamente ao melhor disco do Bob Marley, que é a melhor pessoa de sempre.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Este fim de semana há eventos porreiros.
Sabado e domingo Serralves em festa. Sábado há clubbing na casa da música por 7.5€ Cluster e Chrome Hoof. Cluster é uma das bandas mais importantes do krautrock.
Chrome Hoof é isto:
http://www.youtube.com/watch?v=RsbXIERktOQ

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ponha o despertador para as 6 da manhã. Assim que ele tocar, comece a ouvir imediatamente o último disco de Mugstar, intitulado Sun, Broken. A introdução ao álbum dura minuto e meio e é uma espécie de núvem electrónica que não deixa adivinhar o que se segue. Equipe-se à pressa, para abrir a porta de casa no momento exacto em que será assaltado por guitarras frenéticas, cavalgando numa bateria in your face krautrock. Agora que já sabe ao que vem, trate de começar o seu jogging matinal. Os Mugstar encarregar-se-ão de deixar a batida - musical e cardíacada - em cima. Vamos lá, um dois três quatro, um dois três quatro. Tenha em mente que o disco dura pouco menos de 40 minutos para que o possa ouvir todo antes de voltar a casa e começar o seu dia maçador de trabalho. As faixas são simples, o disco é praticamente instrumental - à excepção de uns gritos à Cave no quarto tema - há algumas mudanças de ritmo mas nada demasiado brusco, pelo que poderá manter a sua atenção na respiração. Por falar em respirar, a quinta música, intitulada "She ran away with my medicine", o único momento experimental do álbum, é um momento excelente para beber um trago de água e inspirar/expirar profundamente. É inevitável falar de Circle, já que a faixa Labrador Hatchet relembra imediatamente Circle na era motorik de Fraten (o álbum que tem os nomes UMA COISA = OUTRA). O disco, no geral, não é mais actual do que os primórdios do krautrock, embora mais pesadote: não é suficiente? Vamos a mais uma voltinha no carrossel.

Serralves em Festa

Está de volta aquela bela festa, na sua sétima edição, 5 e 6 de Junho, 40 horas non-stop: música, dança contemporânea, exposições, teatro, circo contemporâneo, cinema / vídeo, fotografia, oficinas em família, feiras, copos e bom tempo (esperamos).

Os destaques, de acordo com o suspeito Expresso, são: "Tout va bien" (Teatro de Rua/Teatro de Objectos), Íman (Dança), Shoot the girl first (Circo Contemporâneo), James BRown's Funky Divas Versus The Revolution of th Mind (Concerto de Encerramento) e o Concerto de Jazz da Big Band do Hot Club de Portugal.

Eu vou destacar meia-dúzia de descrições que me pareceram porreiras e espero ver:

ORQUESTRA DE GUITARRAS E BAIXOS ELÉCTRICOS: "As peças são, assim, compostas por fragmentos que têm vindo a ser criados desde Janeiro de 2009 e que resultam do cruzamento de diversas linguagens musicais e da exploração do recurso tímbrico inusitado de ter dezenas de guitarras amplificadas em palco."

THE MAGIC I.D.: "A formação instrumental é simples, consistindo no duo de clarinetes de Kai Fagaschinski e Michael Thieke, duas guitarras (uma acústica e uma eléctrica: Margareth Kammerer e Christof Kurzmann) e duas vozes (uma feminina e outra masculina, também de Kammmerer e Kurzmann), combinadas com as manipulações electrónicas de Kurzmann."

SCHNEE: Após o regresso a Viena, os dois iniciam o projecto Schnee onde os dois começaram por explorar as diferenças fundamentais entre a música gerada por computador de Kurzmann e os sons das guitarras de Stangl.

(O Kurzmann é comum às duas bandas anteriores. E ainda toca noutro concerto. Grande cunha deve ter o homem...)

THE INTERNATIONAL NOTHING: Os dois começaram a trabalhar juntos enquanto duo de clarinetes em 2000, e dedicam-se a encontrar novas direcções na abordagem a esta original formação instrumental através da composição de peças focadas na exploração de possibilidades harmónicas e multifónicas, fundindo o som dos dois clarinetes num só, simultaneamente soando como se fossem mais do que dois instrumentos.

[Na verdade não fiquei com graaande vontade de ver nada disto que passei para aqui.]

É provável que chegue tarde nas duas noites, acabe por não ver nada disto e passe menos tempo a ouvir música do que gastei a escrever o post. E só li metade da lista de música. Mas Serralves é mesmo uma festa.

sábado, 29 de maio de 2010

Bohren & der Club of Gore - Black Earth (2002)


Banda alemã de Dark Jazz, constituída por elementos provenientes de bandas mais hardcore. Som muito intenso e introspectivo, costumo ouvir em situações que requerem concentração, ou então de manhã quando tomo meu café e observo o ambiente cinzento característico do Porto. É de certa forma um estilo de som depressivo, ou pelo menos, para grande parte das pessoas a quem eu aconselhei... Eu não partilho dessa ideia e considero esta banda, e este álbum, como sendo a banda sonora ideal para alguém que se afunda em seus próprios pensamentos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Electric Wizard - Dopethrone (2005)


Este álbum é para a destruição Stoner Doom!
Som ideal para acompanhar uma "Trip" com amigos todos muito bêbados de preferência. Stoner fodido que incomoda os ouvidos e cujo bass tem de estar em níveis muito elevados.
Stoner Fucking Doom

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Yasushi Yoshida - Little Grace (2008)


Tenho entre mãos um disco etiquetado com neo-classical mas eu acho que uma palavra vale mais que essa descrição. Eu não sei que porra é música neo-clássica. Talvez isto seja música neo-neo-clássica ou pós-neo-clássica. A primeira música parece-me minimalista; uma peça tocada com muita calma, bem composta. Vejamos, de clássico o que sobra? Os instrumentos, todos acústicos: violinos, violoncelos, clarinetes, trompete, piano, xilofone, por aí adiante e por vezes alguma percussão (bateria); há algumas partes com dedilhados de guitarra clássica. Isto chega para ser clássica, pós-clássica, mega-clássica, para-clássica? É evidente que não. Daí que uma palavra defina a maioria do álbum, em que a percussão se encontra ausente ou pouco activa: delicado. Ah, mas quando há percussão é outra coisa, há alguns crescendos nada abusados e a coisa vai andando, subindo, enchendo, sem nunca se exaltar demasiado; depois arrefece num piano melancólico. Já foi boa a viagem e ainda vamos na segunda faixa. A terceira faixa é piano a solo, uma peça óptima para - não desfazendo - usar em vídeos kitsch no movie maker e acabar de vê-lo com uma lágrima no canto do olho. A quarta música, Thread Still, que na sua duração de 10 minutos, representa, digamos, a média do álbum. Começa com um piano e um violino que podiam ter saído de um álbum de Godspeed You! Black Emperor - será que eles são neo-clássicos? - e quando chego ao final parece-me que vai chover e o sol não volta. Nunca mais. Venha o Inverno. Sigo para a faixa 5 depois de enxugar as lágrimas e uma guitarra acústica a solo chora-se solidariamente, criando um momento para o disco respirar.

Escolha com cuidado a hora em que vai dar ouvidos a esta música, no seu mp3; não pode haver ruído de fundo: o trânsito ou uma gunete no metro a tagarelar sobre a tatuagem de homenagem ao Cristiano Ronaldo que pretende fazer no fundo das costas, são obscenidades que ferem de morte música desta profundidade.

A faixa 6, Three Winters Our Trace, utiliza, uma pequena dose bem-vinda de electrónica na sua abertura. É a faixa que mais prima pela simplicidade, e me faz perceber que a grande maioria do disco - à excepção de alguns momentos de piano ou guitarra virtuosa - parece liberto de preconceitos de composição, ou a velocidade a que tudo se passa assim faz parecer: praticamente tudo aqui é notas simples, espaçadas e a música um agregado de sons que se comporta como um ser que vai mudando a sua forma sem nunca o fazer bruscamente; embora, claro, mais vivo que um cadáver chamado Music for Airports. A faixa 7 tem mais vida e permite ao sol entrar pela janela, antes da sua sucessora Lullaby For Rainsongs nos arrebatar (como aliás o título já deixava adivinhar) com as suas flautas e a guitarra acústica a chorar-se outra vez sozinha. Existe, contudo, uma réstia de esperança: a lista ainda contém uma hidden track. Trata-se de umas variações sobre o tema 4 (que termina com a mesma guitarra a fazer o choradinho), e permite ao disco terminar acenando-nos, da estação, com um lenço branco enquanto o combóio em que embarcámos vai partindo. Vamos mais leves, felizes porque o sol já brilha, mas tristes por partir sem Yashushi Yoshida.

No final de contas, abstenho-me de ir perguntar aos cientistas musicais da All Music, ou na democrática Wikipédia o que é música neo-clássica.

YOB - The Unreal Never Lived (2005)


YOB é uma banda bem complexa que se revela muito difícil de gostar à primeira. Mas quando se começa a gostar, rapidamente tudo passa a ser paixão! Uma mistura de Doom Metal tradicional, com Stoner Rock/Metal e com Funeral Doom Metal. Se por um lado o som se revela negro, por outro revela-se um som energético e animado. Agridoce. Este álbum é muito bom, e nem sei ao certo se será o melhor deles, uma vez que depende dos dias, depende essencialmente da atmosfera envolvente. Vi-os duas vezes no Roadburn Festival 2010 em Abril, e como podem imaginar foram duas viagens carregadas de adrenalina.
Vale a pena, começa com a energia da "Quantum Mystic", música essa que prova o gosto do vocalista Mike pela Física Quântica, passa para o doom severo da "Grasping Air", e remete-se para as duas faixas seguintes, num doom introspectivo e.. quântico!
Aconselho e aconselharei para sempre esta banda.