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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Islaja - Ulual YYY (2007)

Islaja é um nome sonante da cena experimental finlandesa (cuja maioria lança os discos pela Fonal). Já conhecia dois discos dela, mais antigos, e que não têm uma onda muito diferente deste. E qual é a onda desta senhora? Eu diria que anda algures entre o assustador e o encantador. Vamos por partes: ela canta e compõe. O que compõe são músicas de 4 minutos que têm por base no máximo dois acordes de guitarra dedilhados, ou de piano, ou em momentos mais experimentais algumas dissonâncias que podem chatear no início (e que depois se entranham, é verdade). Os arranjos incluem teclados analógicos/astrológicos, melódicas, baixo, violino, percussão tipo pandeiretas ou algo do género. Do ponto de vista de um musicólogo vale zero: é um álbum feito num jeito pop por uma criança que não entende nada do assunto. A voz, por si só, também não faz dela uma virtuosa da coisa - ao contrário da compincha Lau Nau. Mas tudo junto, entre canções mais melancólicas - quase todas - e outras mais mexidas, umas free-form e outras com cabeça, tronco e membros (isto é, com aquela coisa de refrão e verso) faz um disco que vale a pena ouvir várias vezes, e a voz, naquele registo meio fantasmagórico, deixa algumas saudades quando o disco termina, ao som de passarinhos das bucólicas florestas finlandesas. Pelo caminho ficou um disco que, para mim, evoca a noite pelo que não vale a pena ouvir de dia - independentemente do que a rapariga lá vai cantando na estranha língua finlandesa - e os passarinhos anunciam a alvorada.

A grande canção do disco é sem dúvida a Pete P, que até teve direito a vídeo e tudo (realizado pelo ES)



terça-feira, 17 de agosto de 2010

A cena finlandesa (artigo Pitchfork)

Artigo de 2005


ES - Kesamaan Lapset (2009)

Este álbum, o quinto de ES (aka Sami Sanpakkila, que é também o fundador da Fonal Records, casa da Islaja, Lau Nau, Paavoharju, Kemialliset Ystavat e sabe deus quem mais) dá-me razões para continuar "finlandófilo". Meia-dúzia de audições repeliram uma careta tipo bébé cagão provocada pela indigestão inicial, sobretudo devida à chatice provocada a meio da quarta faixa, onde o sujeito não fode nem sai de cima e é salvo pelo som de água. Já que o objectivo do disco é provocar memórias de infância, quem sabe se esta música não era relativa a uma mijinha durante a sesta de Verão? Os títulos, traduzidos pelo cada vez melhor Google Translate:

Nome do disco - Os Filhos de Verão
01.
Pior ainda antes de ter sido
02. Junho e os lábios sorrindo
03. Raios da Alma dom.
04. O verão das crianças
05. fantasmas dom do Coração

O som que este tipo pratica pode ser descrito como um caleidoscópio de sintetizadores algures entre o barato e o arrítmico, com - raras - vozes de lenga-lengas para crianças; drones e cânticos shamânicos muito enterrados na mistura, gravados na redline. Já disse que depois da sesta e da mijinha o som se torna grandioso, triunfal? Poderá isso significar que na brincadeira pós-sesta o sujeito da direita decapita o da esquerda e este se esvai em sangue que cada vez menos jorra, como os sintetizadores que a terminam? (Pergunta bónus: porque é que não é o da esquerda que decapita o da direita?)

O que é certo é que há um universo muito estranho por detrás deste som - e da Fonal em geral - com que me vou entreter nos próximos tempos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PHARAOH OVERLORD - SILUURIKAUDELLA (2010)


Os Pharaoh Overlord voltam ao activo, depois de 3 anos de hiato. São - mais - uma banda paralela de Circle. Na Ektro, editora afilhada ou madrinha dos Circle fala-se em três guitarras, um baixo e uma bateria o que, a manterem a line-up do passado, são os Circle menos o vocalista Mika Rättö, mais uma dupla de irmãos como guitarristas.

Os Pharaoh Overlord foram, no passado, os space-rockers que se iniciaram num stoner repetitivo, uma espécie de Circle com riffs mais pesadotes, na - melhor, para mim - fase dos discos I e II, mais tarde o motorik III , tendo vindo a integrar (em conjunto outras 7 ou 8 bandas paralelas a Circle) o movimento NWOFHM com o disco IV. Entretanto lançaram também dois álbuns ao vivo, Battle of the Axehammer e Live in Suomi Finland (que ainda não ouvi).

O novo disco (cujo nome corresponde a uma das eras medidas na escala de tempo geológico) é composto por três faixas, num conjunto perto de 50 minutos. Por si, é já uma mudança significativa. Os títulos traduzem-se (pelo menos no Google Translate) em Torre de Água, Parte de Carcaça e Desenhos. Faceta Fiambre não era capaz de fazer melhor, no que toca a nomes.

No que toca à música, ou melhor dito, ao som, os tipos colocaram-se nos antípodas daquilo a que nos habituaram. Onde havia um baterista motorik (aqui, no fantástico trio synthpop Aavikko, nos Circle) há um brontoscorpio entretido em grande parte do álbum (que dá um show do caralho na segundo música, ainda assim). Onde havia 4 marmanjos entretidos a insistir a música toda
no mesmo riff há o contrário: um Orthoceras regulare, um Eurypterus, um Cephalaspis e um Cooksonia a desenhar paisagens.

A julgar pelos nomes, é como se estes tipos se tivessem fechado na sala de aulas de Geologia do Liceu, repleta de fósseis, imagens e projecções do National Geographic e estivessem a tocar cada um para seu lado. Tirando nas alturas - impossivelmente improvisadas - em que tudo parece fazer sentido.

Acabado o álbum, acabou a viagem, o NWOFHM e, companheiros, chegámos ao Holoceno!