sábado, 29 de maio de 2010

Bohren & der Club of Gore - Black Earth (2002)


Banda alemã de Dark Jazz, constituída por elementos provenientes de bandas mais hardcore. Som muito intenso e introspectivo, costumo ouvir em situações que requerem concentração, ou então de manhã quando tomo meu café e observo o ambiente cinzento característico do Porto. É de certa forma um estilo de som depressivo, ou pelo menos, para grande parte das pessoas a quem eu aconselhei... Eu não partilho dessa ideia e considero esta banda, e este álbum, como sendo a banda sonora ideal para alguém que se afunda em seus próprios pensamentos.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Electric Wizard - Dopethrone (2005)


Este álbum é para a destruição Stoner Doom!
Som ideal para acompanhar uma "Trip" com amigos todos muito bêbados de preferência. Stoner fodido que incomoda os ouvidos e cujo bass tem de estar em níveis muito elevados.
Stoner Fucking Doom

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Yasushi Yoshida - Little Grace (2008)


Tenho entre mãos um disco etiquetado com neo-classical mas eu acho que uma palavra vale mais que essa descrição. Eu não sei que porra é música neo-clássica. Talvez isto seja música neo-neo-clássica ou pós-neo-clássica. A primeira música parece-me minimalista; uma peça tocada com muita calma, bem composta. Vejamos, de clássico o que sobra? Os instrumentos, todos acústicos: violinos, violoncelos, clarinetes, trompete, piano, xilofone, por aí adiante e por vezes alguma percussão (bateria); há algumas partes com dedilhados de guitarra clássica. Isto chega para ser clássica, pós-clássica, mega-clássica, para-clássica? É evidente que não. Daí que uma palavra defina a maioria do álbum, em que a percussão se encontra ausente ou pouco activa: delicado. Ah, mas quando há percussão é outra coisa, há alguns crescendos nada abusados e a coisa vai andando, subindo, enchendo, sem nunca se exaltar demasiado; depois arrefece num piano melancólico. Já foi boa a viagem e ainda vamos na segunda faixa. A terceira faixa é piano a solo, uma peça óptima para - não desfazendo - usar em vídeos kitsch no movie maker e acabar de vê-lo com uma lágrima no canto do olho. A quarta música, Thread Still, que na sua duração de 10 minutos, representa, digamos, a média do álbum. Começa com um piano e um violino que podiam ter saído de um álbum de Godspeed You! Black Emperor - será que eles são neo-clássicos? - e quando chego ao final parece-me que vai chover e o sol não volta. Nunca mais. Venha o Inverno. Sigo para a faixa 5 depois de enxugar as lágrimas e uma guitarra acústica a solo chora-se solidariamente, criando um momento para o disco respirar.

Escolha com cuidado a hora em que vai dar ouvidos a esta música, no seu mp3; não pode haver ruído de fundo: o trânsito ou uma gunete no metro a tagarelar sobre a tatuagem de homenagem ao Cristiano Ronaldo que pretende fazer no fundo das costas, são obscenidades que ferem de morte música desta profundidade.

A faixa 6, Three Winters Our Trace, utiliza, uma pequena dose bem-vinda de electrónica na sua abertura. É a faixa que mais prima pela simplicidade, e me faz perceber que a grande maioria do disco - à excepção de alguns momentos de piano ou guitarra virtuosa - parece liberto de preconceitos de composição, ou a velocidade a que tudo se passa assim faz parecer: praticamente tudo aqui é notas simples, espaçadas e a música um agregado de sons que se comporta como um ser que vai mudando a sua forma sem nunca o fazer bruscamente; embora, claro, mais vivo que um cadáver chamado Music for Airports. A faixa 7 tem mais vida e permite ao sol entrar pela janela, antes da sua sucessora Lullaby For Rainsongs nos arrebatar (como aliás o título já deixava adivinhar) com as suas flautas e a guitarra acústica a chorar-se outra vez sozinha. Existe, contudo, uma réstia de esperança: a lista ainda contém uma hidden track. Trata-se de umas variações sobre o tema 4 (que termina com a mesma guitarra a fazer o choradinho), e permite ao disco terminar acenando-nos, da estação, com um lenço branco enquanto o combóio em que embarcámos vai partindo. Vamos mais leves, felizes porque o sol já brilha, mas tristes por partir sem Yashushi Yoshida.

No final de contas, abstenho-me de ir perguntar aos cientistas musicais da All Music, ou na democrática Wikipédia o que é música neo-clássica.

YOB - The Unreal Never Lived (2005)


YOB é uma banda bem complexa que se revela muito difícil de gostar à primeira. Mas quando se começa a gostar, rapidamente tudo passa a ser paixão! Uma mistura de Doom Metal tradicional, com Stoner Rock/Metal e com Funeral Doom Metal. Se por um lado o som se revela negro, por outro revela-se um som energético e animado. Agridoce. Este álbum é muito bom, e nem sei ao certo se será o melhor deles, uma vez que depende dos dias, depende essencialmente da atmosfera envolvente. Vi-os duas vezes no Roadburn Festival 2010 em Abril, e como podem imaginar foram duas viagens carregadas de adrenalina.
Vale a pena, começa com a energia da "Quantum Mystic", música essa que prova o gosto do vocalista Mike pela Física Quântica, passa para o doom severo da "Grasping Air", e remete-se para as duas faixas seguintes, num doom introspectivo e.. quântico!
Aconselho e aconselharei para sempre esta banda.

Take Away Show - Soema Montenegro

http://www.vimeo.com/11927023

Não tenho grande coisa a dizer sobre isto, apareceu-me, estou a ver e lembrei-me d'amostrar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

the basement tapes

serve este post para prestar atenção a uma coisa muito maravilhosa chamada the basement tapes do bob dylan e duma banda chamada the band, um disco gravado depois de um acidente de mota que o dylan teve, após uma ascendência criativa muito fenomenal que fora a sua carreira até então culminando no momento everestiano que foi o proporcionar a quem quisesse ouvir o conjunto de cançoes designado por blonde on blonde em 66. Prosseguindo, a lenda reza que o dylan se sentou numa cave, juntou a banda e gravou um grupo de canções que foi sendo conhecido através de bootlegs várias e que finalmente viu a luz do dia num formato comercial sob a designação de the basement tapes uns bons anos depois em 75. ora, esta é uma obra onde dylan corta com uma sua característica predominante até então: o surrealismo lírico de cortar a respiração (porventura movido pelo consumo de substancias ilicitas) é substituido por uma celebração da tradição da canção de influência blues e country - enfim a onda americana cowboiana. dylan continua a escrever coisas deliciosas e seria um crime menosprezar as letras deste disco - simplesmente aqui as canções já não parecem ser principalmente um veículo para os seus devaneios narrativos (e experimentalismo instrumental). As canções são muito brilhantes, todas, e o disco deve ser ouvido de seguida, pois as canções além de terem uma propriedade de fluidez e de estarem notavelmente ordenadas, perdem muito do seu impacto se ouvidas individualmente. deve-se voltar a carregar neste ponto: esta experiência sonora começa na odds and ends e acaba na this wheels on fire e tem todas as canções pelo meio. Os tesouros de the basement tapes revelam-se após algumas audições: tecidos de texturas sonoras cuidadosamente fabricados, melodias subtis e inspiradas, estórias de reflexões filosóficas e angústias existenciais temperadas por uma dose certa de humor, e tudo isto envolto numa aura de divertimento. Existem sentimentos de extâse que contagiam o ouvinte ao longo da audição desta obra, e que se revelam com uma crescente familiaridade com estas canções. Façam favor de sacudir o pó e abrir esta caixa que se encontra ali perdida no canto da cave.

E agora deixo-vos com isto http://www.youtube.com/watch?v=prwyXU7luS4 porque me passou pela cabeça e até não fica mal

domingo, 23 de maio de 2010

Circle - Peel Sessions (2002)

"Circle" e "Peel Sessions" chega para abrir o apetite? Circle no seu melhor, jams infinitas. Óptimo como música de fundo, diferente - para melhor - se ouvido com atenção. Para quem não conhece Circle, é um óptimo álbum para começar.

Coisas a seguir

O Melhor Disco de Sempre recomenda o programa radiofónico Zepelim, transmitido na Rádio Universidade de Coimbra. Podem ouvi-lo às quartas das 23 às 24h (GMT) na 107.9 FM.
A selecção musical é variada, vai do paranormal (os últimos dois programas) à música popular portuguesa, field recordings, música para crianças, teorias da conspiração, sonambulismo, e muitas outras apetitosas obscuridades.

O último programa - que podem ouvir aqui - intitulado Rádio Horror, é uma viagem a um mundo de cinema a preto e branco, onde somos acompanhados por locutores, transportados em piloto automático por drones, ao longo de um caminho onde repicam sinos; há tempestades, lobisomens, e música clássica que se passeia no ar em câmara lenta, por entre risos de bruxas s&m. Leiam a descrição detalhada aqui . "You're still there?"

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ratto Ja Lehtisalo - Pari Lepakkoa Transylvaniassa


Finlândia, projecto perpendicular a circle krautrock calmo e brutal stop

Música do Pompi

V/A: THE ROOTS OF CHICHA: Psychedelic Cumbias from Peru


Directamente do Perú, conjunto de magníficos temas propícios às festividades populares locais, com bailarico incluído. Deve ser utilizado em rádios roufenhos, de preferência portáteis, à torreira da soleira. Não esqueça um frasquinho com ayahuesca, que certamente lhe fará falta quando chegar à canção "Vacilando com Ayahuesca", em que uma sujeita, atingida, certamente, por uma comichão cósmica interior, se encosta assanhada soltando um gemido de "Si, esso, más, dame, dame tooodo!". Quão divertido teria sido submeter os Diapasão a estes sons durante horas a fio? Talvez da música brejeira portuguesa, vulgo pimpa, tivessem saído letras tão porcas coladas a instrumentais dançáveis com guitarras ácidas. Certo é que temas como "Muchachita del Oriente" com a sua introdução carrinhos-de-choque levam um cristão a trauteá-la com uma boa-disposição pela rua fora, apesar de ter pisado cócó de cão. A faixa "Sacalo Sacalo" ganha o prémio Ordinária do Ano (que reza um "que se no lo sacas, se vuelve a meter de nuevo"), que, apesar de ficar aquém de um Quim Barreiros, só vem a mostrar o nível com que nos deparamos. "Mi robaran mi runa mula", "Patricia" e "El Milagro Verde" são canções instrumentais fantásticas, à qual se junta "Para Elisa", remake de uma música clássica que, tanto quanto me lembro, existia numa publicidade qualquer da Radio Voz do Marão há muitos anos. Servir com cerveja gelada.