A melhor música de sempre, pelo menos daquela semana. Actualidade, raridade, variedade. Escutar, relaxar, procrastinar.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
VA - The Doo Wop Box Vol.1
Uma compilação em que participam 24 bandas cujo nome começa em "The" só pode vir do punk ou do doo wop. Bandas chamadas The Jewels, The Rainbows e The Valentines colocam o punk como uma hipótese muito remota, sobretudo se têm músicas chamadas "Hearts of Stone", "Mary Lee" e "Lily Maebelle", respectivamente.
A vantagem desta música é que é capaz de derreter o coração de um punk todo furado como se fosse feito de manteiga, ao passo que submeter estes sujeitos a um "I wanna be sedated" não resultava minimamente. Há músicas de teor religioso: juro que se houvesse em Portugal uma qualquer religião de big fat mommas a cantar Crying in the Chapel aos domingos me teriam sempre à escuta à porta do templo.
Mas o reino aqui é, sem dúvida, a lamechice. A palavra "fool" é a rainha e senhora do álbum. "I'm just a fool, a fool in love with you" (em Earth Angel dos magníficos The Penguins) resume perfeitamente o sentimento dominante do disco. Fica de trabalho de casa para os incansáveis leitores (os estagiários, oh Cortez!) fazer uma lista de frases do disco que giram à volta da palavra "fool".
À quinta ou sexta audição não consigo parar de ouvir esta coisa. Entrei neste castelo pela porta da traição (com as magníficas homenagens de Frank Zappa ao doo wop) mas sou apenas um fool in love com esta melhor compilação de sempre. É como diz a capa: "The only doo wop collection you'll ever need". Resta acrescentar que este disco é aqui postado porque consta (pelo menos na wikipédia) que o doo-wop morreu no início dos anos 60, portanto há meio século.
PS: Ao subir para casa no elevador, dei por mim a trautear uma música da minha infância. De uma banda que não recorreu a sujeitos com o apelido Johnson ou Tyrone.
A quadra
"Estou tão deprimido
Sem saber que fazer
Pobre e mal vestido
Com a barba por fazer."
é a quadra mais doo wop de sempre. Ena Pá 2000, os mais que míticos, ao vivo, em 1992 na melhor balada-doo-wop-surf-rock de sempre cantada em português! (Retira-se o crédito da porta da traição ao Sr. Zappa)
U-Roy Super Boss
quarta-feira, 21 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
U-Roy - Dread in a Babylon
*Não confundir com o Transformer do mesmo nome.
The Mekons Rock n'Roll
Gadgets
Em homenagem aos media corporativos e à música de qualidade, decidi O Melhor Disco de Sempre decidiu adicionar um gadget (ali do lado direito, nada visível) em homenagem à grandiosa MTV.
PHARAOH OVERLORD - SILUURIKAUDELLA (2010)
Os Pharaoh Overlord voltam ao activo, depois de 3 anos de hiato. São - mais - uma banda paralela de Circle. Na Ektro, editora afilhada ou madrinha dos Circle fala-se em três guitarras, um baixo e uma bateria o que, a manterem a line-up do passado, são os Circle menos o vocalista Mika Rättö, mais uma dupla de irmãos como guitarristas.
Os Pharaoh Overlord foram, no passado, os space-rockers que se iniciaram num stoner repetitivo, uma espécie de Circle com riffs mais pesadotes, na - melhor, para mim - fase dos discos I e II, mais tarde o motorik III , tendo vindo a integrar (em conjunto outras 7 ou 8 bandas paralelas a Circle) o movimento NWOFHM com o disco IV. Entretanto lançaram também dois álbuns ao vivo, Battle of the Axehammer e Live in Suomi Finland (que ainda não ouvi).
O novo disco (cujo nome corresponde a uma das eras medidas na escala de tempo geológico) é composto por três faixas, num conjunto perto de 50 minutos. Por si, é já uma mudança significativa. Os títulos traduzem-se (pelo menos no Google Translate) em Torre de Água, Parte de Carcaça e Desenhos. Faceta Fiambre não era capaz de fazer melhor, no que toca a nomes.
No que toca à música, ou melhor dito, ao som, os tipos colocaram-se nos antípodas daquilo a que nos habituaram. Onde havia um baterista motorik (aqui, no fantástico trio synthpop Aavikko, nos Circle) há um brontoscorpio entretido em grande parte do álbum (que dá um show do caralho na segundo música, ainda assim). Onde havia 4 marmanjos entretidos a insistir a música toda
no mesmo riff há o contrário: um Orthoceras regulare, um Eurypterus, um Cephalaspis e um Cooksonia a desenhar paisagens.
A julgar pelos nomes, é como se estes tipos se tivessem fechado na sala de aulas de Geologia do Liceu, repleta de fósseis, imagens e projecções do National Geographic e estivessem a tocar cada um para seu lado. Tirando nas alturas - impossivelmente improvisadas - em que tudo parece fazer sentido.
Acabado o álbum, acabou a viagem, o NWOFHM e, companheiros, chegámos ao Holoceno!
segunda-feira, 5 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Leningrad Cowboys go to America [1989] (um filme de Aki Kaurismaki)

Depois de ver este incrível filme pela segunda vez sou obrigado a postar qualquer coisa sobre ele. (À medida em que vou ouvindo o que postei aqui e acho que exagerei no pessimismo; afinal é o melhor disco de sempre; ou é agitprop a surtir efeito?)
Este filme é fantástico porque tridimensional, mesmo sem precisar dessas merdas dessas TV's que agora apareceram e que transmitem - wow! - a 3 dimensões como no mundo lá fora. Tridimensional porque tem o melhor de três universos: é um filme de estrada, um musical e uma comédia (esta não é bem uma dimensão, ou é?)
E político, também! Lançado no ano da queda do Muro, todo ele é política - da história não conto nada - repetindo o que Aki Kaurismaki sempre mostra nos seus filmes: um grito de revolta contra os moldes da sociedade; e fá-lo tanto em relação ao ocidente como ao antigo "socialismo real". Isto pode ser notado do início ao fim do filme, quando - porra agora vou ter de contar um bocado.
Comecemos pelo início: na tundra finlandesa (ou mais concretamente na união soviética ainda que se fale finlandês) uma banda faz uma audição para um burocrata que, através de outro burocrata - o "manager" - os envia para a América onde "se consome qualquer merda". Ali não servem porque não são comerciais. E lá vão eles, partem primeiro nos seus tractores (os veículos usados nos filmes de Kaurismaki são sempre fantásticos) como um conjunto de motards harley-davidson americanos quaisquer, mas com uma pinta mais Elvis. O momento mais político é o subcapítulo "revolução" em que o grupo despede o manager burocrata que acaba por ser libertado pelo maluco da aldeia, que volta a submeter a banda à "democracia". Aqui está um texto que quero ler sobre o filme quando tiver tempo.
O resto é História. É sem dúvida o melhor musical de sempre. A banda existe mesmo e, além de dois filmes, lançou um documentário e 9 álbuns, entre os quais um com o coro do exército vermelho (é curioso eu ter falado do coro no outro post e descobrir no mesmo dia que estes tipos tocaram com eles!)
O fim do filme acaba por ser um alívio; faz com que ele tenha a duração certa, apesar de não deixar um minuto chato que seja; assim como os poucos e medidos diálogos. Surreal.
[Faceta precisa de fazer um filme em viagem.]
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Radio Pyongyang: Commie Funk and Agit Pop from the Hermit Kingdom
Em homenagem aos 7-0 que espetámos à Coreia do Norte, a única prestação da selecção nacional que, no Mundial 2010, não envergonhou os portugueses. Com o selo de garantia da Sublime Frequencies.
A produção desta coisa é simplesmente horrível. O eco da voz, o baixo foleiro, o tom-tom da bateria que valha-me deus.
Há interlúdios sacados da rádio (à semelhança de outras edições da Sublime Frequencies) que nos dão conta de notícias que frequentemente falam do querido líder Kim Jong-il. Ah, mas logo na primeira música canta-se em honra ao eterno líder, seu pai, Kim Il-Sun. Também há coros, quase natalícios. Excertos de rádio com mensagens codificadas, de espionagem ou contra-espionagem (conforme aquela colectânea chamada "Conet Project"). Baladas capazes de levar a lágrima ao canto do olho da Ágata (que, ultimamente, se dedica ao tarot e não estou a brincar). Uma ópera de nove minutos, mais ou menos decente. Um conjunto de criancinhas amestrada, certamente estrelas dos impressionantes jogos de massas. Depois de tudo isto, a última música é poderosa, arrebatadora, gloriosa e digna do coro do exército vermelho soviético. Acaba por salvar o álbum.
Pergunto-me se os sujeitos da Sublime Frequencies terão recolhido o material eles mesmos, e como terá sido essa experiência, depois de terem rodado os cantos mais obscuros do sudeste asiático.
Em suma, o menos bom que ouvi compilado por Sublime Frequencies: um país que produz música desta devia levar 10-0 de Portugal. Quase não vale a pena sacar isto.
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