
Depois de ver este incrível filme pela segunda vez sou obrigado a postar qualquer coisa sobre ele. (À medida em que vou ouvindo o que postei aqui e acho que exagerei no pessimismo; afinal é o melhor disco de sempre; ou é agitprop a surtir efeito?)
Este filme é fantástico porque tridimensional, mesmo sem precisar dessas merdas dessas TV's que agora apareceram e que transmitem - wow! - a 3 dimensões como no mundo lá fora. Tridimensional porque tem o melhor de três universos: é um filme de estrada, um musical e uma comédia (esta não é bem uma dimensão, ou é?)
E político, também! Lançado no ano da queda do Muro, todo ele é política - da história não conto nada - repetindo o que Aki Kaurismaki sempre mostra nos seus filmes: um grito de revolta contra os moldes da sociedade; e fá-lo tanto em relação ao ocidente como ao antigo "socialismo real". Isto pode ser notado do início ao fim do filme, quando - porra agora vou ter de contar um bocado.
Comecemos pelo início: na tundra finlandesa (ou mais concretamente na união soviética ainda que se fale finlandês) uma banda faz uma audição para um burocrata que, através de outro burocrata - o "manager" - os envia para a América onde "se consome qualquer merda". Ali não servem porque não são comerciais. E lá vão eles, partem primeiro nos seus tractores (os veículos usados nos filmes de Kaurismaki são sempre fantásticos) como um conjunto de motards harley-davidson americanos quaisquer, mas com uma pinta mais Elvis. O momento mais político é o subcapítulo "revolução" em que o grupo despede o manager burocrata que acaba por ser libertado pelo maluco da aldeia, que volta a submeter a banda à "democracia". Aqui está um texto que quero ler sobre o filme quando tiver tempo.
O resto é História. É sem dúvida o melhor musical de sempre. A banda existe mesmo e, além de dois filmes, lançou um documentário e 9 álbuns, entre os quais um com o coro do exército vermelho (é curioso eu ter falado do coro no outro post e descobrir no mesmo dia que estes tipos tocaram com eles!)
O fim do filme acaba por ser um alívio; faz com que ele tenha a duração certa, apesar de não deixar um minuto chato que seja; assim como os poucos e medidos diálogos. Surreal.
[Faceta precisa de fazer um filme em viagem.]
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