
Islaja é um nome sonante da cena experimental finlandesa (cuja maioria lança os discos pela Fonal). Já conhecia dois discos dela, mais antigos, e que não têm uma onda muito diferente deste. E qual é a onda desta senhora? Eu diria que anda algures entre o assustador e o encantador. Vamos por partes: ela canta e compõe. O que compõe são músicas de 4 minutos que têm por base no máximo dois acordes de guitarra dedilhados, ou de piano, ou em momentos mais experimentais algumas dissonâncias que podem chatear no início (e que depois se entranham, é verdade). Os arranjos incluem teclados analógicos/astrológicos, melódicas, baixo, violino, percussão tipo pandeiretas ou algo do género. Do ponto de vista de um musicólogo vale zero: é um álbum feito num jeito pop por uma criança que não entende nada do assunto. A voz, por si só, também não faz dela uma virtuosa da coisa - ao contrário da compincha Lau Nau. Mas tudo junto, entre canções mais melancólicas - quase todas - e outras mais mexidas, umas free-form e outras com cabeça, tronco e membros (isto é, com aquela coisa de refrão e verso) faz um disco que vale a pena ouvir várias vezes, e a voz, naquele registo meio fantasmagórico, deixa algumas saudades quando o disco termina, ao som de passarinhos das bucólicas florestas finlandesas. Pelo caminho ficou um disco que, para mim, evoca a noite pelo que não vale a pena ouvir de dia - independentemente do que a rapariga lá vai cantando na estranha língua finlandesa - e os passarinhos anunciam a alvorada.
A grande canção do disco é sem dúvida a Pete P, que até teve direito a vídeo e tudo (realizado pelo
ES)
http://www.filestube.com/0d42021436b0facf03e9,g/Ulual-Yyy.html
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